Grito Rock Fortaleza divulga programação completa

janeiro 28, 2010 por Rede Ceará de Música

 

A veterana Dago Red, de Fortaleza, toca pela primeira vez no Grito

O Grito Rock Fortaleza divulga as bandas selecionadas para sua terceira edição: as locais The Drunks, Baby!, Dago Red, Piron Heron, Roadsider e o trio pernambucano Voyeur compõem a programação em 2010. O festival acontece no próximo dia 27 de fevereiro, no Hey Ho Rock Bar – comemorando 7 anos da casa. O Grito Rock se estende para mais de 70 cidades do país e quatro da América do Sul

O Grito Rock Fortaleza já tem sua programação definida. Na sua terceira edição, o evento é parte do maior festival de música integrado da América Latina, o Grito Rock América do Sul – capitaneado pelo Circuito Fora do Eixo. Além da capital cearense, são mais de 70 cidades do país e quatro além do território brasileiro, sediando shows antes, durante e após o período carnavalesco.

Em Fortaleza, a edição local acontecerá dia 27 de fevereiro, no Hey Ho Rock Bar (Praia de Iracema), comemorando o aniversário de 7 anos da casa com as bandas The Drunks, Baby! (Maracanaú/CE), Dago Red (Fortaleza/CE), Voyeur (Recife/PE), Piron Heron (Fortaleza/CE) e Roadsider (Fortaleza/CE).

As cinco bandas foram selecionadas após participarem do processo de inscrições realizado entre 6 e 15 de Janeiro, com curadoria da Rede Ceará de Música – responsável pela organização local. Foram 150 grupos de todo o Brasil, estabelecendo recorde de bandas inscritas na edição fortalezense do Grito. A novidade da seleção foi o portal Toque no Brasil: através dele, as bandas tinham a oportunidade de se inscrever em até cinco edições do Grito Rock por todo o País.

O Roadsider fechará a programação do Grito Rock Fortaleza

Mais sobre o Grito Rock América do Sul 2010 – Em 2009, o Grito Rock cruzou a linha de 50 cidades. E em 2010, o festival acontece em mais de 70 cidades brasileiras, justificando assim o título de “maior festival integrado da América Latina”, já que, além dessas, mais quatro cidades fora dos limites tupiniquins realizam o Grito: Buenos Aires (Argentina), Córdoba (Argentina), Montevidéu (Uruguai) e Santa Cruz de La Sierra (Bolívia).

Entre as cidades brasileiras estão Rio Branco (AC), Uberlândia (MG), Santa Maria (RS), João Pessoa (PB), Recife (PE), Fortaleza (CE), entre outras. Os coletivos responsáveis estimulam assim a autogestão das bandas. Com tantas cidades cadastradas, as bandas independentes vêem no Grito Rock a oportunidade de planejar sua própria turnê. 

O festival nasceu em Cuiabá (MT), no ano de 2001, como uma alternativa, movida a guitarras, às marchas de carnaval, e hoje se tornou um dos eventos com o “line up” mais diverso do País. Para que aconteça com esta amplitude, o evento envolve a cooperação de vários membros da cadeia produtiva: sejam músicos, jornalistas, produtores, videomakers, entre outros. 

Serviço – Festival Grito Rock América do Sul 2010 em Fortaleza (CE). Dia 27 de fevereiro (sábado), a partir das 22h, comemorando o aniversário de 7 anos do Hey Ho Rock Bar (Rua José Avelino, 604, Praia de Iracema). Com as bandas The Drunks, Baby! (CE), Dago Red (CE), Voyeur (PE), Piron Heron (CE) e Roadsider (CE). Ingressos: R$ 8,00 + 1kg de alimento não-perecível ou qualquer outro material de ajuda às vítimas da catástrofe no Haiti (roupas, remédios, água). O material arrecadado será encaminhado para a filial da Cruz Vermelha no Ceará. Info.: (85) 8823.9194 – redecemusica@gmail.com

Feira da Música abre inscrições para os shows da IX edição

janeiro 26, 2010 por Rede Ceará de Música

Imagem de uma das apresentações da Feira da Música 2009 (Por Jacques Antunes)

Com exceção de grupos e artistas solo de Fortaleza (CE), neste momento a secretaria geral recebe material do interior do Ceará, dos demais Estados do Brasil, de países da América Latina e do mundo. As inscrições poderão ser feitas até 19 de Março, através do envio dos documentos necessários

A Feira da Música de Fortaleza (CE) abre inscrições para grupos e artistas solo interessados em se apresentar na nona edição do evento em 2010. Até 19 de Março, a secretaria geral recebe material de todo o Ceará (com exceção de Fortaleza), dos demais Estados do Brasil, de países da América Latina e do mundo. A exclusão da capital cearense neste primeiro momento não é por acaso: em breve, os músicos de Fortaleza poderão enviar seus materiais para participar das prévias que acontecerão com a realização de shows pré-Feira em abril,maio e junho – antecedendo a IX edição, programada para o período de 18 a 21 de agosto.

Os grupos e artistas solo interessados podem participar da seleção reunindo os documentos necessários da seguinte forma:

- Preencher a ficha de inscrição - disponível para baixar no site oficial da Feira – e imprimir;

- Incluir mapa de palco e uma ficha técnica com o nome dos integrantes e respectivas funções, incluindo produtor, se houver;

- CD de áudio – contendo mínimo de três faixas autorais;

- CD-R com breve release do grupo (ou artista solo) e fotos de divulgação (em alta resolução) ambos em formato digital;

- Reunir todos os itens e enviar para a Associação dos Produtores de Discos do Ceará (ProDisc), no endereço Rua Engenheiro Plácido Coelho Júnior, 180A, Vicente Pinzón, Fortaleza (CE) – Cep 60181-055. Outras informações sobre o envio: (85) 3262.5011 ou secretaria@feiradamusica.com.br

IX Edição – Consolidada como um dos maiores encontros de música e negócios do Brasil, a Feira da Música de Fortaleza entra na expectativa para a realização de sua nona edição com o respaldo das edições anteriores. A Feira acontece desde 2002 e, em 2009, apresentou resultados mais concretos e conseguiu estabelecer um padrão elevado.

Ano passado, o evento reuniu mais de 40 mil visitantes, foi sede de um encontro importante para a fundação da Rede Música Brasil (RMB), implantou a moeda complementar “Patativa” na recepção dos convidados – sinalizando com a forte tendência de se trabalhar a cadeia produtiva da música à base da economia solidária. E ainda fechou com os seguintes indicadores, levando em consideração todas as edições de 2002 até cá:

* Participação de 3600 músicos;

* 612 shows realizados;

* 48 palcos armados;

* 560 expositores;

* 1500 colaboradores diretos e indiretos;

* 200 mil pessoas que circularam em função do evento;

* 2000 produtores, gestores, estudantes, professores, técnicos e interessados se encontraram em função de negócios e processos de aprendizado;

Palco Brasil Independente na Feira da Música 2009 (Por Jacques Antunes)

Para 2010, a organização da Feira da Música sinaliza para novos focos de atuação, com “um olhar para o Nordeste” e “outro para a América Latina”. Ambas as visões têm a perspectiva de articulações para a integração do mercado da música a nível regional e continental, respectivamente.

Outra nova proposta para a IX edição, além da realização de seletivas para a escolha das bandas de Fortaleza (CE) que farão shows nos palcos da Feira, é a criação de um Conselho Consultivo que irá acompanhar a organização. Um olhar externo sobre como o comitê gestor – composto por produtores culturais locais, consultores e jornalistas – está trabalhando e pensando o evento.

Grito Rock Fortaleza abre inscrições através do Portal Toque no Brasil

janeiro 5, 2010 por Rede Ceará de Música

O Grito Rock Fortaleza abre suas inscrições para a edição 2010 com uma novidade: este ano, o festival recebe material das bandas interessadas através do Portal “Toque no Brasil”. Qualquer banda pode se cadastrar e se inscrever online. Assim como a versão local, todas as edições do Grito Rock pelo Brasil estão com as inscrições abertas no site até 15 de Janeiro

O festival Grito Rock Fortaleza está com inscrições abertas para a edição 2010 até 15 de Janeiro. Este ano, o evento recebe os materiais de bandas independentes através do portal Toque no Brasil. A terceira edição do Grito Fortaleza faz parte do Grito Rock América do Sul 2010, capitaneado pelo Circuito Fora do Eixo, sediado em mais de 50 cidades das cinco regiões do Brasil e quatro cidades da Argentina, Bolívia e Uruguai. A ação cooperativa acontece antes, durante e após o período do Carnaval, com foco no circuito independente.

Em Fortaleza (CE), a edição local acontecerá dia 27 de fevereiro, no Hey Ho Rock Bar (Praia de Iracema). As bandas interessadas em participar do Grito Fortaleza estarão concorrendo a 4 vagas para artistas locais e 1 vaga para nacionais (de outros estados do Nordeste e demais regiões do Brasil). A realização é da Rede Ceará de Música (RedeCem). O resultado da seleção será divulgado publica e diretamente aos inscritos a partir de 20 de Janeiro.

Como se Inscrever – Confira no link a seguir um passo a passo da inscrição: http://www.dosol.com.br/2010/01/05/toque-no-brasil-rapido-faq/ 

Dúvidas sobre inscrições? Entre em contato através do email toquenobrasil@gmail.com

Mais sobre o Toque no Brasil – Imagine uma banda e/ou artista realizando uma turnê de vinte e dois dias, saindo de Fortaleza (CE) e chegando ao Rio Branco (AC) com dois days off apenas (dias livres, em português) e com um custo razoável. Imagine também essa mesma banda ou artista operando essa produção com o auxílio de um ‘guia’ da música independente, acessível a partir de um endereço online, onde o sujeito tem a chance, após a turnê, de tecer comentários sobre as rotas, sobre o atendimento dos locais, sobre o som, ou quaisquer outras informações que julgue pertinente compartilhar, construindo assim um grande banco de dados coletivo, capaz de promover trocas de impressões, experiência e garantindo mais facilidades para a realização de próximas turnês.

Pois bem, a compilação dessas duas imagens é a proposta de trabalho que o projeto Toque no Brasil inaugura com o seu lançamento, a ser realizado nesta terça-feira, dia 05 de janeiro, no endereço virtual www.toquenobrasil.com.br. O projeto é uma iniciativa pioneira no Brasil e tem como meta propor um novo conceito de agendamento de shows, circulação de artistas e turnês baseados em uma plataforma 100% virtual em sua negociação, que garantirá o mapeamento e acesso de artistas a circuitos e rotas brasileiras, construídas a partir da colaboração e contato direto dos usuários do sistema.

Fabrício Nobre, presidente da Abrafin (Associação Brasileira de Festivais Independentes), uma das entidades realizadoras da ação, cita o SonicBids.com - site americano que conta hoje com milhares de cadastrados – para explicar as vantagens que a ferramenta brasileira promoverá no mercado da música independente nacional. “O SonicBids auxilia a negociação de mais de 60 mil shows ao ano. A idéia que é o TNB facilite do mesmo modo esse relação entre bandas, festivais, casas, coletivos e outros agentes interessados em se apresentar no Brasil”. diz. “Lembrando que a ferramenta é apenas uma plataforma virtual de negociação, e que os esforços, tanto de investimento para a circulação e outros, deverão ser feitos pelos agentes envolvidos na transação e não pelo TNB”, sublinha ele.

A Abrafin conta hoje com mais de 40 festivais associados, e conforme antecipa o presidente, vários deles disponibilizarão vagas via Toque No Brasil, onde também constarão quais serão as condições de trabalho ofertadas, tais como cachês, receptivo e outros, que serão oferecidas aos artistas.

Além dos festivais, rede de casas de shows brasileiras chancelada pela Casas Associadas – outra entidade realizadora da ação – também já anunciou todo o empenho na garantia dos mais variados espaços, assim como o BMA (Brasil Musica e Arte) e o Circuito Fora do Eixo (ambas também entidade realizadoras), que contam, respectivamente, com contatos internacionais e com mais de quarenta coletivos espalhados nas mais diversas regiões brasileiras. “Com essa quantidade de espaços ofertados, será possível circular inúmeras rotas, de ponto a ponta do Brasil, durante todo o ano. Essa constância é uma das principais moedas da rede social, que facilitará o planejamento dessas ações como nunca vista antes no Brasil”, analisa Talles Lopes, da Casas Associadas.

Para Pablo Capilé, do Circuito Fora do Eixo, essa é uma ação de continuidade, de um planejamento que vem sendo realizado por todas essas entidades. “Com todos elementos já é possível analisar a força que uma ferramenta dessas traz ao circuito da música independente nacional, deixando claro, obviamente, que não basta só se cadastrar, é preciso empreender”, finaliza ele.

RedeCem assina carta questionando valor dos cachês do IV Festival BNB Rock-Cordel

dezembro 23, 2009 por Rede Ceará de Música

Confira a carta na íntegra, elaborada pela Associação Cultural Cearense do Rock (ACCR), com apoio da RedeCem e Panela Discos. A quarta edição do Festival BNB Rock-Cordel acontecerá no próximo mês de Janeiro e é o primeiro evento de 2010 no calendário da música independente em Fortaleza (CE):

À Presidência do Banco do Nordeste e aos Gestores dos Centros Culturais do Banco do Nordeste,
 
Sabemos da importância da criação do programa BNB do Rock-Cordel para as cenas do Ceará e da Paraíba. Trata-se de uma das mais acertadas políticas públicas no âmbito da cultura voltada para um segmento considerável da juventude de Fortaleza e região metropolitana, bem como de Juazeiro do Norte e regiões circunvizinhas, sem falarmos da cidade de Souza, em pleno Sertão da Paraíba, que tiveram um impacto significativo em seus campos musicais e localidades.

A abertura dos Centros Culturais do Banco do Nordeste para os grupos de diversos matizes e estilos foi algo bastante relevante, demonstrando disposição de diálogo, sensibilidade política e social dos gestores dos referidos espaços culturais para com um segmento até então considerado marginal e estigmatizado. Além disso, o programa promove a inclusão social e cultural de centenas de grupos novatos e veteranos das cenas cearense e paraibana.
 
O programa é um sucesso de público, de crítica, de mobilização da juventude. Entretanto, possui deficiências e distorções que precisam ser corrigidas sob pena de ter sua continuidade comprometida. A defasagem dos cachês praticados pelo CCBNB, se é que podemos chamar assim, é um exemplo. Do ponto de vista simbólico, a inclusão do estilo musical “Rock” dentro da grade da programação musical foi de grande valia, posto que, foi inserido em sua programação um segmento numeroso e diversificado no programa BNB do Rock-Cordel.

Mas para um programa musical considerado, inclusive pela Direção do BNB, como um dos mais bem avaliados em termos de público, mídia, inclusão social e cultural, precisa pelo menos equiparar-se em termos de valores aos já existentes como “Cultura Musical”, “Mostra da Canção Independente”, “Festival BNB Instrumental” entre outros.
 
Só para termos uma idéia, os grupos de outras regiões do país selecionados para o programa BNB do Rock-Cordel – 2010 não recebem ajuda de custo, diferente dos músicos selecionados para os outros programas musicais que recebem cachês e 50% do valor em ajuda de custo girando em torno de R$ 500 a R$ 1.000,00.

Outra distorção diz respeito a classificação do que são atrações “Regionais” e “Nacionais”.  Que parâmetros são utilizados nessa qualificação? Será que um grupo classificado como “Rock” oriundo de São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador e/ou Natal, por exemplo, não pode ser enquadrado dentro desses parâmetros? Sobretudo porque as bandas de “rock” são conhecidas nacional e internacionalmente entre o público desse estilo musical, independente de tocar em rádio ou programas de TV. Trata-se de um critério dúbio, injusto e contraditório, precisando ser corrigido para as próximas edições do edital de programação.

Alguns grupos selecionados para o IV Festival BNB do Rock-Cordel, por exemplo, desistiram de participar da edição de 2010, por conta do valor irrisório de R$ 250,00 (duzentos e cinqüenta reais) “limpo e seco” e sem direito a ajuda de custo. É importante valorizar os grupos locais, mas a cena precisa ser “oxigenada” através de intercâmbios com bandas e artistas de outras localidades do país, é importante que o programa e as ações do BNB tenham visibilidade fora de sua sede e área de atuação.
 
Senão vejamos: dos R$ 250,00 recebidos por cada grupo, 16% vão ser descontados na fonte, referentes ao INSS e ISS, 11% e 5% respectivamente, restando R$ 210,00. Para uma banda que ensaia uma vez por semana durante duas horas em estúdio apropriado, terão que desembolsar ao final de um mês R$ 80,00. Isso ao custo de R$ 10,00 (a hora). Sem falarmos que o grupo vai ter que pesquisar bastante para encontrar uma sala de ensaio com esse preço. Assim, dos R$ 250,00 iniciais, ainda restam R$ 130,00. O deslocamento para o estúdio não foi contabilizado.

Para uma apresentação em Fortaleza, por exemplo, terão que se deslocar de suas residências ao centro cultural. Se forem em um automóvel vão desembolsar pelo menos uns R$ 15,00 de combustível, e mais R$ 6,00 de estacionamento. Agora restam R$ 109,00. Sendo uma banda de quatro integrantes, indo e voltando de ônibus o custo vai girar em torno de R$ 14,40. Isto se o grupo tiver de pegar apenas uma condução. Assim, restam R$ 115,6.
 
Geralmente, uma banda de rock do tipo clássico possui quatro integrantes: uma guitarra, um baixo, uma bateria e um vocal. É o básico. Se o guitarrista trocar o encordoamento da guitarra (nacionais) (a cada seis meses), que custa em torno de R$ 15,00, o baterista adquirir um par de baquetas (o mais acessível) também por R$ 15,00 em média e o baixista for trocar o encordoamento do baixo (nacional), vai desembolsar R$ 60,00. Ao final vão investir R$ 90,00. Assim, do cachê inicial vai sobrar R$ 19,00 para o grupo que for em (01) um automóvel, e R$ 25,00 daqueles que tomarem uma condução pública.
 
E se após o show os músicos sentirem fome e quiserem merendar no Centro da cidade? Quem foi de ônibus vai ter a sua disposição R$ 6,40 para cada integrante e os que forem de automóvel vai ter R$ 4,75 cada. Dá para comer um pastel com caldo de cana, ou um misto quente e um refrigerante, ou comer prato em um self-service sem peso.
 
Por outro lado, sabemos que existem critérios objetivos que dizem respeito ao público que freqüenta os centros culturais onde são contabilizados os ingressos distribuídos, o público circulante durante os eventos, a quantidade de músicos e grupos incluídos pelo programa, onde o programa BNB do Rock-Cordel supera todos os outros e que não vem sendo levados em consideração no momento de definir o planejamento orçamentário e a “divisão do bolo”.

Não adianta apenas crescer o número de bandas para justificar que mais grupos foram incluídos a cada ano. Do ponto de vista quantitativo funciona muito bem, mas por outro lado, continuaremos inferiorizados e precarizados em relação aos músicos dos outros programas musicais. O processo deve ser uma via de mão dupla. 
 
Do ponto de vista político, deve ser levado em conta que uma parcela considerável da juventude – antes excluída das políticas de cultura do Governo Federal - passou a freqüentar, ganhar dinheiro com a sua arte através dos centros culturais do BNB, sendo potenciais formadores de opinião e eleitores nas próximas eleições.
 
São simples observações que muitas vezes passam despercebidas perante os gestores como também da parte de quem define as políticas para os inúmeros programas dos Centros Culturais do BNB. É sabido, que em quatro edições o aumento dos cachês foi mínimo, passando de duzentos reais para os atuais R$ 250,00, estando há dois anos congelado. Não seria o momento de repensar e atualizar esses valores, aproximando dos outros programas musicais existentes? O cachê mais razoável e justo seria de R$ 500,00 para o próximo ano.
 
Atenciosamente,
 
Associação Cultural Cearense do Rock
Rede Ceará de Música (REDECEM)
Panela Discos

Turnê Fora do Eixo Nordeste começa em Fortaleza

dezembro 8, 2009 por Rede Ceará de Música

Felipe Gurgel
Da RedeCem Comunicação

O Macaco Bong toca pela 4ª vez em Fortaleza - primeira cidade da turnê Fora do Eixo

Em 2009, o Circuito Fora do Eixo (CFE) cresceu pela região Nordeste. Recém-criados em algumas capitais e no interior, novos coletivos da rede – a exemplo do Natora (Campina Grande – PB), Popfuzz (Maceió – AL) e Quina Cultural (BA) – aparecem e agora se integram com os já estabelecidos na primeira turnê Fora do Eixo. De 8 a 15 de Dezembro, exatamente durante uma semana, as bandas Burro Morto (PB), Porcas Borboletas (MG) e Macaco Bong (MT) percorrem a faixa litorânea que vai de Fortaleza (CE) a Salvador (BA), passando por todas as capitais do trecho e Campina Grande (PB).

Por aqui, em Fortaleza, a turnê dá o primeiro passo hoje (terça) com shows do Macaco Bong e do Porcas Borboletas, além da local Alegoria da Caverna no Hey Ho Rock Bar (Praia de Iracema), a partir das 19h. Antes, no próprio bar, os músicos do Macaco, Talles Lucena (Joseph K?), Lucas Gurgel (Clamus – que acompanhou o S.O.H na Europa) e Alline Rodrigues (da extinta Telerama) falam de suas respectivas experiências em turnês gringas. O debate é aberto ao público. Já o ingresso para os shows, na seqüência, custa apenas R$ 5.  

A Alegoria da Caverna é a banda local da noite em Fortaleza

O Burro Morto só acompanha o resto da trupe a partir do show de Natal (RN), que acontece amanhã (quarta) no Sgt. Peppers. Na seqüência, eles pegam a estrada neste sentido:

10 – Recife (PE) – Feira Música Brasil. O Macaco toca na programação oficial do evento e as outras duas bandas tocam no Circuito OFF Feira, do Conexão Vivo
11 – João Pessoa (PB) – Espaço Mundo
12 – Campina Grande (PB) – Bronx Pub
13 – Maceió (AL) – The Jungle
14 – Aracaju (SE) – Rua da Cultura
15 – Salvador (BA) – Boomerangue

A ação dá uma idéia da dimensão que tem tomado a Agência Fora do Eixo de bandas - novo projeto do Circuito. Sobre este e outros assuntos referentes à seqüência de shows na estrada, Ney Hugo (baixista do Macaco Bong) conversou com o blog da RedeCem. Os cuiabanos fazem parte de um dos coletivos de maior referência para o Brasil se tratando de CFE hoje. O Espaço Cubo (MT) é o coletivo pioneiro de ações como a consolidação da moeda complementar – peça-chave da relação “economia solidária X economia da cultura”. Ou seja, um dos pilares da história toda. Confira a entrevista: 

RedeCem – Vocês tocaram aqui pelo projeto Música do Mato, no último dia da Feira da Música. Mas foi só um aperitivo, já que era uma apresentação híbrida. Qual o diferencial deste show em Fortaleza agora? Ainda é o mesmo repertório do primeiro disco?

Ney Hugo – O Música do Mato é um projeto integrante da Rede Mato, que criamos no Mato Grosso para difundir e trabalhar a cadeia produtiva da música no estado. Fizemos uma primeira turnê, que passou por quase 10 estados. O projeto é integrado por 5 nomes de destaque da música matogrossense, em diferentes estilos. Esse show de agora mostra parte da variedade proposta na Agência Fora do Eixo, com as bandas Porcas Borboletas e o Macaco Bong. Trabalharemos sim com o “Artista Igual Pedreiro” (primeiro disco), mas também temos uma música nova gravada no (programa de TV) 10 Horas do Tramavirtual e umas versões instrumentais de Nirvana, Morphine, The Presidents of USA e The Police.

RedeCem - E o que vocês pensam em relação ao segundo disco? Já existe a previsão de entrar em estúdio novamente?

Ney – Estamos na fase de composição e pré-produção. Compondo na estrada e isso deve dar uma textura diferente em relação ao “Artista Igual Pedreiro”, que é (um disco) bem quente e seco. A cara de Cuiabá. Ainda não temos a data de entrada no estúdio. Vamos passar antes por essa primeira etapa.

RedeCem - A banda chega aqui com o Porcas Borboletas. Qual é a idéia da Agência Fora do Eixo?

Ney – A agência Fora do Eixo é diferente de outras agências. É uma nova frente de trabalho do Circuito Fora do Eixo que auxilia 13 bandas auto-gestoras e referenciais nessa rede de coletivos, no suporte e elaboração  de turnês, além de assessoria de imprensa e comunicação, logística e técnica no período mínimo de um ano. As bandas foram selecionadas pelos próprios Pontos Fora do Eixo e são consideradas referência em seu modelo de gestão de carreira.

Os mineiros do Porcas Borboletas lançaram, em 2009, o elogiado "A Passeio" - seu primeiro álbum oficial

RedeCem - Vocês chegam aqui terça (hoje) e vão pingando pelas capitais do Nordeste até a outra terça, chegando em Salvador. Dá para conciliar as outras atividades “artista-pedreiro” em plena estrada? Nesse ritmo de turnê?
 
Ney – Com certeza… Tem notebook e (conexão à Internet) 3G (risos). Estamos concentrados nos trabalhos da própria Agência Fora do Eixo, na produção, agenciamento, divulgação, assessoria, sonorização, distribuição de materiais, etc. E fora o contato com cada cena local, que é uma constante presente no nosso trabalho.

RedeCem - Pra fechar, me fala de que como foi o ano para o Macaco Bong. O que ainda não era comum para a banda até 2008 e neste ano passou a ser?

Ney - Morar na estrada (risos). Esse ano foi sem dúvida o ano que mais circulamos. Passamos por vários lugares que nunca tínhamos ido antes e vamos fechar 2009 contabilizando ter passado por quase todos os estados brasileiros (faltando Maranhão, Piauí e Amazonas). Esse ano também recebemos projeções que nunca havíamos tido: a eleição do melhor disco do ano pela (revista) Rolling Stone Brasil, o convite pra tocar na festa da revista, o (festival) Planeta Terra ao lado do Sonic Youth e Iggy Pop. A rede do Fora do Eixo cresceu ainda mais, com pontos espalhados por todo o país, conectados organicamente. Uma das provas disso é a Agência Fora do Eixo, que trabalha com 13 bandas cooptadas nesse Circuito e tem articulado shows e turnês através dessa rede de parcerias. Foi um ótimo ano e dá um puta gás pra já entrarmos com tudo em 2009. O (festival) Grito Rock já vem aí em todo o país…

Planejamento Estratégico da Rede é resultado da oficina

dezembro 4, 2009 por Rede Ceará de Música

Felipe Gurgel
Da RedeCem Comunicação

Shimbo interage com o grupo presente à oficina

A oficina com o professor Ioshiaqui Shimbo, da UFSCar (Universidade Federal de São Carlos – SP), resultou no planejamento estratégico da Rede Ceará de Música (RedeCem). O encontro, realizado na última terça (1°) e quarta (2), na sede da Associação dos Produtores de Discos do Ceará (ProDisc), em Fortaleza, também definiu a composição do núcleo durável do coletivo, além de provocar reflexões sobre os princípios da economia solidária e sobre a dimensão de um empreendimento social como a RedeCem.

Na terça, Shimbo partiu para a construção de um mapa cognitivo dos membros da Rede. E explicou que o exercício, de reconhecimento, era peça fundamental para a definição do planejamento estratégico do coletivo - que desde o início era o objetivo da oficina. “Nós temos que fazer algumas perguntas: quem somos, quais as metas, quem são os parceiros, quais nossos desafios, nossos sonhos. E enxergar que com os problemas a gente pode levantar oportunidades”, observou.

O exercício do mapa cognitivo respondeu algumas perguntas sobre a dimensão da Rede

O mapa cognitivo mostra que o meio mais fácil para identificar os membros da Rede são os pontos de intersecção. Por exemplo: o Hey Ho Rock Bar é este ponto em relação a Babuê Produções e à empresa Bandeira R Produções Artísticas, uma responsável pela gerência e a outra pela administração do bar, respectivamente. Shimbo alertou, a partir do exercício, que a composição da Rede pode gerar desproporcionalidade, já que o núcleo durável é feito por grupos associativos e pessoas autônomas. Disto, algumas discussões surgiram, como a questão: as 40 bandas da ACR são representadas por um só dentro da Rede ou elas precisam ter cada uma seu peso de voto?

“As bases precisam ter conhecimento da Rede”, disse Shimbo, ao concluir que as bandas associadas devem ao menos estar cientes do processo. Com tantas necessidades de mudança da realidade atual, o professor levantou a idéia de que a RedeCem precisa definir se quer manter o DNA atual ou transformá-lo através da realização de um congresso ou de situações afins. A partir daí, o grupo reconheceu que há um necessidade maior e mais urgente em relação à elaboração de uma Carta de Princípios – a exemplo do que foi feito a partir do Congresso do Circuito Fora do Eixo, rede maior que integra a RedeCem e os demais coletivos produtores de cultura – com foco na música independente – pelo Brasil.

Fechando o primeiro dia da oficina, uma série de problemas foi elencada tendo em vista a criação da Rede, em abril de 2009, e sua atividade até aqui. Só para citar alguns: participação insuficiente, divisão desigual do trabalho, dificuldade para identificar a composição do grupo, dificuldade de conciliar atividades individuais e dos empreendimentos coletivos, desequilíbrio de prioridades. Enfim, um exercício de auto-reconhecimento que foi útil para que a Rede descobrisse sobretudo o que não deve se fazer adiante. E trocar eventuais ciclos viciosos por ciclos virtuosos, uns atentos às necessidades dos outros.

“A RedeCem tem muito poder de troca” (Prof°. Shimbo - comentando o fluxograma da cadeia produtiva da música local que está ligada à Rede)

A oficina reuniu, além do núcleo durável da Rede, alguns parceiros como representantes do Sebrae e do BNB

O segundo dia teve início com a análise de um fluxograma da cadeia produtiva da música local. Shimbo observa que o perfil dos consumidores dos produtos finais sempre depende dos aliados (patrocinadores, apoios, etc) de cada produção. “Vocês têm de ter isso muito claro. A moeda complementar é criada para ficar sob o controle do coletivo”, lembra o professor.

Ivan Ferraro, da ProDisc – associação-membro da Rede articuladora do encontro, complementa o raciocínio de Shimbo justificando a criação da moeda. “Por que criar uma moeda? Porque esse mercado independente ainda está em construção. Não estamos preparados para se endividar muito em espécie. Não temos capital de giro e nem de serviços para atender grandes demandas”, explicou.

Da discussão da moeda, o prof. Shimbo levanta uma das metas mais urgentes da Rede: a criação de um fundo solidário de crédito rotativo, alimentado por investimentos e doações. E ele doou o próprio cachê – referente à realização da oficina – para a gestão do fundo, incentivando a iniciativa. “Se você estiver livre de dívidas, a doação é importante para estimular a solidariedade”, disse, causando um momento de reflexão (interior e exterior) entre o grupo presente ao encontro.

O grupo presente foi surpreendido com a doação do cachê do prof° Shimbo ao recém-criado fundo solidário

A oficina avançou e, após as discussões necessárias, as definições mais urgentes foram:

Composição do Novo Organograma – Dividido entre os membros do Núcleo Durável:

- Articulação Externa (Ivan Ferraro/ Amaudson Ximenes)
- Comunicação (Felipe Gurgel)
 - Finanças (Rafael Bandeira)
- Projetos Especiais e Ação (Valéria Cordeiro / Lucas Gurgel/ Glauber Uchôa*)
- Secretaria (Thaís Andrade/ Rafael “Babuê” Lucena)

* representante do Sebrae (CE)

Instâncias de Decisões:

- Núcleo Durável
- Encontros Ampliados
- Encontros Específicos (A exemplo da própria oficina com Shimbo)
- Assembléias/ Encontros Gerais

Encaminhamentos a Curto Prazo:

- Manutenção do Núcleo Durável
- Sensibilização dos Sócios e das Relações com a Rede
- Realização do 1° Congresso da RedeCem
- Elaboração da Proposta da Carta de Princípios do coletivo (que definirá critérios de inserção de novos membros e parceiros)
- Elaboração do Termo de Referência da RedeCem (e de suporte à elaboração de projetos)

RedeCem se encontra com Shimbo

dezembro 1, 2009 por Rede Ceará de Música

Felipe Gurgel
Da RedeCem Comunicação

A Rede Ceará de Música (RedeCem) começa a definir seu regimento interno com um processo de capacitação em economia solidária. Nesta segunda, 30 de novembro, o professor Ioshiaqui Shimbo (SP), da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), conduziu palestra de abertura sobre os princípios solidários em processos e empreendimentos econômicos com foco participativo. O encontro aconteceu na sede da Associação dos Produtores de Discos do Ceará (ProDisc – CE), no Vicente Pinzón, bairro de Fortaleza (CE).

Shimbo listou e discutiu conceitos da economia solidária. A palestra foi uma abertura da oficina com a RedeCem

Shimbo se reuniu com o núcleo durável da Rede - com a presença de profissionais autônomos, Bandeira R, Babuê Produções, Associação Cultural Cearense do Rock (ACR), Midiamix Comunicação, Caldeirão das Artes – e representantes de instituições como o Banco do Nordeste (BNB) e Sebrae. A seqüência do encontro acontecerá nesta terça (1°) e quarta (2), das 15 às 20h em ambos os dias, na ProDisc, com a realização da oficina focada na organização da RedeCem.  

Shimbo abriu a palestra do jeito habitual: pediu breve apresentação de cada um. No entanto, não deixou de surpreender parte dos presentes, logo de início, ao reconhecer que banda também é coletivo. “Passou de uma pessoa é coletivo”, pontuou. O professor contou sobre o percurso que o fez chegar até a ProDisc, desde o momento que passou a conhecer de perto empreendimentos solidários com origem na economia da cultura. “Eu conheci o Massa Coletiva (coletivo vinculado ao Circuito Fora do Eixo) em São Carlos. Fui ao Congresso Fora do Eixo no Acre. Lá conheci o Ivan (Ferraro – da Midiamix e ProDisc) e o catálogo da RedeCem”, observou.

Parte da platéia presente à palestra na ProDisc

A partir daí o professor da UFSCar conduziu uma discussão sobre o que é a economia solidária e o que implica estar envolvido em empreendimentos/projetos solidários. “É importante que vocês tenham claro qual é a identidade do grupo. Vocês trabalham com atividades culturais e têm ênfase na cadeia produtiva da música independente”, disse. Toda a exposição de conceitos que veio a seguir foi baseada em duas perguntas norteadoras do encontro: “Quais as possíveis relações entre economia da cultura e economia solidária?” e “Quais as possíveis relações entre a RedeCem e o movimento da economia solidária?”.

Shimbo não cansava de explicar o motivo do encontro. “O que me interessou para chegar aqui foi porque li no catálogo da RedeCem que vocês funcionavam pautados em princípios da economia solidária. Mal conheço o coletivo de vocês, mas é o que me interessa”, explicou. O professor levantou conceitos que – por mais óbvios que pareçam – precisam ser revisitados por quaisquer membros envolvidos em empreitadas afins: “a economia solidária é uma resistência à economia de mercado. A gente observa atitudes convencionais em alguns momentos isolados, como acontece com as doações do (período de) Natal, por exemplo, mas o desafio maior é incorporar valores solidários ao cotidiano. A maior parte dos projetos solidários atendem pessoas que estão excluídas socialmente. Aqui (com a RedeCem) temos um caso de pessoas incluídas envolvidas com esta perspectiva. Isso é uma possibilidade de salto para a economia solidária”.

 A par de discussões que estão em evidência no circuito independente, o professor lembrou da postura dos artistas convencionais ao falar do princípio da divisão de trabalho mais eqüitativa no cotidiano. “Ele (o artista) toca, recebe os aplausos e vai embora. Sei que hoje isso gera muitos debates. Pois há aqueles outros (artistas) que também são produtores, assessores, técnicos”, comentou. E para observar se a RedeCem deve abraçar uma ou outra postura, Shimbo foi claro ao falar sobre a necessidade do coletivo definir e elaborar sua Carta de Princípios. “Evita a aproximação de oportunistas”, disse ele, sem meias palavras, levantando o caso de cooperativas fraudulentas e outras iniciativas teoricamente pautadas na economia solidária porém com distorções práticas.

Antes da palestra, Shimbo conheceu de perto o projeto solidário do Banco Palmas no Conjunto Palmeiras - periferia de Fortaleza

Por fim, Shimbo fechou a palestra reafirmando o compromisso com os presentes pela realização da oficina desta terça e quarta. O blog da RedeCem vai trazer a cobertura e os resultados mais práticos da seqüência deste encontro ainda nesta semana. Acompanhe.

Recesso Forçado

outubro 13, 2009 por Rede Ceará de Música

Felipe Gurgel
Da RedeCem Comunicação

Olá Pessoal. Deixei vocês sem notícias por aqui desde o final de agosto. Agora eu explico: a Rede Ceará de Música passa por algumas reformulações e nesse ritmo de mudanças nós perdemos as colaborações da Júlia Lopes.

No entanto, não devemos demorar com mais atualizações.

Aguardem!

Abraços

André, Vasco, Felipe & Cia

agosto 28, 2009 por Rede Ceará de Música

Felipe Gurgel
Da RedeCem Comunicação

Felipe Cazaux acompanha a dupla André Matos e Vasco Faé em Fortaleza (Por Yuri Amaral)

Felipe Cazaux acompanha a dupla André Matos e Vasco Faé em Fortaleza (Por Yuri Amaral)

São sete anos marcando o cenário musical de Fortaleza: o Oi Blues By Night de 2009 estréia nesta sexta (28) na capital cearense, com show da dupla André Matos e Vasco Faé no Acervo Imaginário. A cidade está na rota do festival que inclui outras cinco capitais nordestinas: João Pessoa (PB), Maceió (AL), Natal (RN), Recife (PE) e Teresina (PI).

Deste modo, não por acaso a dupla chega ao Ceará vindo do Piauí, onde fez show ontem (quinta, 27). É a primeira vez que André Matos – conhecido pela carreira no cenário do heavy metal (ex-Angra, Viper e Shaman) – canta blues pelo Nordeste. Além disso, o vocalista encara o lançamento de novo disco solo, intitulado Mentalize, coincidindo este período promocional com a turnê pelo Oi Blues. A própria imprensa local aproveitou a dupla motivação e abordou o assunto “turnê” e “novo disco”, a exemplo do Diário do Nordeste.

Vasco Faé e André Matos estão em turnê nordestina pelo Oi Blues By Night

Vasco Faé e André Matos estão em turnê nordestina pelo Oi Blues By Night

O gaitista Vasco Faé completa a dupla, com a experiência de quem tem jeito para extrair uma “vertente blues” de ícones do metal: em dois anos anteriores – 2007 e 2008 – ele veio ao Oi Blues em Fortaleza acompanhando Andreas Kisser (Sepultura). Agora, com André, começa a aparecer pela Internet a repercussão da nova formação atípica e seus primeiros shows pelo Nordeste, como neste vídeo registrado pelo Jornal do Commercio (PE).

Por aqui, quem acompanhará a dupla nesta noite é o Felipe Cazaux Trio. O paulista radicado no Ceará mantém carreira solo e, pelo festival, assume a função de músico de apoio e produtor local. Em entrevista realizada por email, Felipe contou ao blog da RedeCem como se deu o trabalho para a estréia do Oi Blues By Night e sobre a recente associação dos blueseiros de Fortaleza.

Em tempo: os shows no Acervo (Rua José Avelino, 226, Praia de Iracema – Entorno do Dragão do Mar) começam às 22h e a abertura é da banda cearense Puro Malte. O ingresso será vendido somente no local e custa R$ 20.

RedeCem – Felipe, você está na produção este ano, toca como músico de apoio hoje e também será atração de abertura na última data (27/11) do Festival. É a primeira vez que assume ambas as funções (produtor e músico)?

Felipe Cazaux – Não, eu já tinha feito o mesmo em 2007, quando participei da produção local pela primeira vez.

RedeCem – Qual o nível de interesse dos músicos locais pelo Festival? Existe uma demanda considerável de bandas em Fortaleza atrás de tocar no Oi Blues?

Felipe – Hoje no Ceará temos um grupo de bandas que vem crescendo aos poucos. Nesse ano os músicos se uniram e criaram uma associação, chamada “Casa do Blues”. A associação tem como projeto principal a apresentação de bandas de Blues cearenses no mercado Joaquim Távora, este leva o nome da associação e ocorre desde março de 2009 em todos os sábados no fim da tarde. A parceria entre as bandas principais (Felipe Cazaux, Arthur Menezes, Blues Label, Puro Malte, Los Carecas e De Blues em Quando) já acontece desde 2007, quando o projeto se concretizou no Ceará, sempre contando com uma dessas bandas na abertura dos shows. Esperamos que o número de bandas cresça, e que nos outros anos possamos abrir mais espaços para bandas novas.

RedeCem – O blues tem um forte vínculo com o improviso. Neste show, a sua banda encontra com o André e o Vasco somente no palco, eu suponho. Você e os demais músicos de apoio chegam a ensaiar algo antes?

Felipe – Nós temos que praticar as músicas em casa, e algumas delas nós já conhecemos, por sermos fãs, ou por ter de tocar em algumas ocasiões. Geralmente não temos ensaio, mas aproveitamos o tempo de outros ensaios para tocar uma ou outra.

RedeCem – Uma das perguntas que são feitas em relação a este show é se o André vai tocar “pelo menos uma” música da carreira como vocalista de metal. Vai rolar alguma versão blueseira do Angra, Shaman ou dele mesmo?

Felipe – Isso eu não posso revelar, mas acredito que será muito mais interessante ver algo incomum. As pessoas ficarão impressionadas!

RedeCem – No mais, o que o público pode esperar do repertório?

Felipe - Podem aguardar clássicos do Blues e do Rock, pois todos que estarão no palco têm essas influências. Acho que os dois músicos são grandes showmen, e nós faremos o melhor para acompanhá-los.

Moeda Patativa é uma das novidades desta 8ª Feira da Música

agosto 19, 2009 por Rede Ceará de Música

Júlia Lopes
Da RedeCem Comunicação

Ambiente de circulação na Feira da Música: evento alcança sua oitava edição em 2009

Ambiente de circulação na Feira da Música: evento alcança sua oitava edição em 2009

De quarta-feira, 19, a sábado, 22, em Fortaleza, será um vai e vem de músicos, produtores, jornalistas e (outros) interessados em música. Mochilas e bolsas chegarão vazias, mas, em pouco tempo, se encherão de discos, livros, panfletos, informações musicais. Os ouvidos receberão estímulos diversos. Começa a oitava edição da Feira da Música, com o tema Música, Novas Tecnologias e Ambientes na Web. Além das rodadas de negócios, palestras e workshops, a Feira apresenta cerca de 60 atrações - sons dos mais diversos cantos do País, além de uma apresentação da Argentina (Los Cocineros).

Os shows da Feira ficarão espalhados em cinco palcos: na Praça Verde do Dragão do Mar de Arte e Cultura (CDMAC), as bandas se apresentam no Palco Brasil Independente. No Palco Rogaciano Leite, no mesmo centro cultural, acontece o Instrumental Nordeste. O Sesc Senac Iracema, no entorno do CDMAC, recebe as atrações do Palco Rock é Rock Mesmo. O Centro Cultural BNB recebe o Palco da Diversidade, e no Shopping Solidário Bom Mix acontece o Palco Mix Brasil. Olhar a programação é de ficar sem fôlego.

Data aguardada no calendário da cidade, a Feira deste ano traz uma novidade para aqueles que estão na grade de sua programação. A recepção dos convidados – incluindo a alimentação das bandas, por exemplo – será mantida com o auxílio da circulação da moeda solidária Patativa. “O lançamento vai ser na Feira. É uma primeira experiência de uma moeda complementar”, conta Ivan Ferraro, coordenador do evento. “É algo simples, um serviço dentro da Feira. Queremos ver como as pessoas se comportam nesse exercício”, explica. Cada Patativa vale R$ 1.

O projeto é um sonho acalentado pelos integrantes desta RedeCem – a Associação dos Produtores de Discos do Ceará (Prodisc), realizadora da Feira, entre eles. A moeda solidária facilitaria a troca de serviços entre os integrantes da cadeia produtiva da música no Ceará. E, ao que parece, dentro da Feira também. “A vantagem da moeda é que nós intensificaríamos a inclusão dos atores da cadeia dentro do evento. O objetivo é que a moeda circule entre todos os estabelecimentos credenciados à Feira”, continua Ivan. Seguindo essa premissa, a ideia não é de acúmulo, mas de circulação.

Enquanto isso, as Rodadas de Negócios movimentam dinheiro real – seja imediatamente ou a longo prazo. É a terceira vez, dentro da Feira, que elas acontecem. “Para nós, é uma ferramenta importantíssima. A rodada é mais comum em outros tipos de negócio e não na cultura, e aqui ela se profissionaliza, se intensifica”, afirma Ivan. A avaliação da iniciativa é positiva. “Ela tem sido bem sucedida. O nosso principal objetivo é fazer com que o vendedor encontre quem compre. Isso faz com que no resto do ano se desenvolvam conversas para que o negócio realmente se efetive”.

Rede nacional

A Feira da Música, assim como outros encontros de cultura do país, foi celeiro de novos coletivos. A partir de uma oficina com Pablo Capilé e outros agentes do Espaço Cubo, de Cuiabá, que a RedeCem surgiu, por exemplo. Agora é a vez da Rede Música do Brasil. “Um dos fundamentos da Feira é pensar música, o mercado da música. Nesse encontro temos vários atores, como associações, grupos, redes, coletivos, Ministério da Cultura, Funarte, Sebrae; coletivos que vão formar a Rede de Música Brasil”, anuncia o coordenador.

A partir de um contato inicial no Porto Musical de junho deste ano, em Recife (PE), foi criada uma lista de discussão na Internet. Ideias surgiram, demandas apareceram e o segundo encontro ficou marcado para acontecer dentro da Feira. “Queremos pensar políticas públicas para a música, como circulação, formação, divulgação, produção. É uma ação do Ministério da Cultura sendo administrada pela Funarte”, detalha. E Ivan deixa o convite: interessados podem acompanhar a palestra de apresentação do coletivo na quarta, a partir das 14h, no Sebrae.