Júlia Lopes
Da RedeCem Comunicação

Michael Jackson, o rei do pop, morreu, mas sua obra ainda promete render muito...
Corre que é hora de ajeitar reportagem, matéria, homenagem. Morreu Michael Jackson. Encaixa na programação, muda a foto do Orkut, diz alguma coisa no Twitter, vem rever tudo no You Tube, combina o flashmob! O frisson cibernético não poderia ter existido quando Lennon ou Ayrton Senna morreram. Mas a exemplo deles, a movimentação é intensa além dos ambientes virtuais.
Principalmente na noite, acostumada a reproduzir aqui e ali lembranças da vasta produção do cantor. E em Fortaleza não foi diferente. Normalmente não pega bem DJ tocar mais de uma música de um só artista no mesmo evento. Mas na última sexta-feira (26/6), os DJs da (festa) Farra na Casa Alheia não se furtaram a mandar não só os sucessos do Michael, mas também dos Jackson 5. No Hey Ho Rock Bar, era show de rock, mas o DJ também arriscou um I want you back, pra delírio do público.
De tão em cima da hora (Michael morreu na quinta-feira, 25, e as festas aconteceram na sexta), não havia jeito da produção se programar melhor. Problema que o pessoal da Zombie Walk Fortaleza não vai enfrentar. Com dois meses de antecedência, a organização da caminhada de zumbis pela cidade resolveu estender suas homenagens póstumas. “A ideia é fazer uma grande dança dos zumbis ao som de Thriller”, fala Rafael Lucena, o Babuê, que organiza a caminhada.
“Sabe o que é mais sinistro?”, me perguntou ele. “O que?”, pergunto de volta. “Marquei a data da Zombie Walk umas duas semanas antes dele morrer. E adivinha em qual dia caiu: 29 de agosto, aniversário dele”. Coincidências e arrepios à parte, o dia já está marcado e na comunidade do Orkut os futuros mortos-vivos combinam os detalhes da caminhada.

Zombie Walk em 2008: Para 2009, os zumbis de Fortaleza se preparam para homenagear Michael
Depois de coberto o percurso, vai ter a festa Zombie Rock Horror Fest no Hey Ho, com Plastique Noir e Misfits Cover. E, como diz Rafael, vai custar “8 reais pra zumbi e 10 pra humanos. Zumbi paga mais barato. Já morreu mesmo”.
Tributo
A produção não pára por aí. No mesmo Hey Ho Rock Bar, vai ter Tributo ao artista. A data ainda não está marcada, mas a atração já: Gleidson Jackson e o grupo Dangerous, com seis dançarinos. Enquanto não balança o palco do Hey Ho, Gleidson sobe em muitos outros, fazendo cover do ídolo. “Hoje (primeiro de julho), tem show no Armazém 47, dia 18 no Náutico, numa festa marcada para 3.500 pessoas, dia 19 tem na Pajuçara…”, contabiliza o rapaz.
Costureiro de profissão, Gleidson encarna Michael Jackson há oito anos. Antes da morte do ídolo, fazia uns quatro shows por mês. Para julho, estão marcados cerca de 20. “Tem gente de Belo Horizonte e Santa Catarina querendo que eu faça show. São Paulo e Rio de Janeiro também”. “Saí agora na última sexta (26/6) no Globo Repórter, era o único artista cover. Na próxima semana vou estar no programa do Will Nogueira e no do Ênio Carlos (na TV Diário)”, comemora.

Gleidson Jackson fazia 4 shows por mês como cover de Michael. Para este mês, já são 20 marcados
Ele garante que se dedica de coração, junto com o grupo, ao hobby que virou profissão. “Cansei de sair do trabalho morto de cansado. Prego cós, esticando dois, três mil elásticos num dia. Imagina o que é passar o dia fazendo isso, meus braços não têm mais força. Mas nunca deixamos de ir pro show, de ensaiar”. Depois de tanto esforço, o sucesso está garantido – mesmo que tenha sido só quando o original passou dessa para ninguém sabe onde.
O sonho agora é ter um patrocinador para incrementar os shows. “Tem dançarino que está comigo há três anos. Sabem tudo de cor, ninguém erra. Depois de três anos não tem como errar”, certifica. A vontade do grupo era ter, como o próprio ídolo, todos aqueles aparatos no palco, como elevadores, telões, fogos de artifício. A apresentação exatamente como o Michael Jackson fazia, ele explica. “Competência a gente tem, dinheiro não”, lamenta.
Se Joga!
Não aguenta esperar? Pois então programe-se logo para acompanhar as festas-tributo: neste sábado (4), o projeto Noise 3D abre espaço para a Black Or White Party no Music Box (Centro Dragão do Mar), em Fortaleza, com discotecagem dos Make Up Junkies, Samuel e Benas. Ingresso: R$ 12 (com direito a R$ 5 de consumação até meia noite).
Nota da Redação (Por Felipe Gurgel): Esta reportagem foi uma maneira que a equipe de Comunicação da RedeCem encontrou de homenagear Michael Jackson. Uma abordagem acima de tudo bem humorada – o que é importante ser dito, antes que possa gerar más interpretações. Quisemos mostrar o fato pelo efeito mais brilhante da vida de MJ: a movimentação causada pela relevância de sua obra, sejam estas (movimentações) politicamente incorretas ou não. Pois o resto – incluindo detalhes sórdidos de sua vida pessoal – é bem menor e tedioso. Boa leitura!